Wednesday, December 3, 2008

a afinidade é...

... a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.


Afinidade é um dos poucos sentimentos que resiste ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais subtil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afecto no exacto ponto em que foi interrompido. Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois de as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é estar longe a pensar parecido a respeito dos mesmos factos que impressionam, comovem ou mobilizam. É conversar sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com, Não é sentir contra, Nem sentir para, Nem sentir por, Nem sentir pelo. Sentir com, é não ter necessidade de explicar o que está a sentir, é olhar e perceber. É mais calar do que falar ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas ou tiradas pela vida...

1 pensaram assim...:

Rui Pedro said...

Gostei. Fazes sentido no que dizes, e associo-o à forma como vejo as pessoas. Gosto de te ler.

 
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