Monday, January 19, 2009

pensamento do ano

Era uma vez uma pessoa que procurava a sabedoria. Tinham-lhe dito que para a atingir tinha sempre de aceitar e recusar ao mesmo tempo tudo o que lhe fosse oferecido, dito ou mostrado. Quando perguntava por onde era o melhor caminho e lhe diziam «é por ali» ela devia seguir imediatamente nesse sentido e depois no sentido contrário. Tendo assim percorrido todas as direcções indicadas e as não indicadas, sem mais caminhos a percorrer, sentou-se no chão e começou a chorar. Sem saber, tinha chegado.


Ana Hatherly in Tisanas

Thursday, January 15, 2009

Enigma~ Return to innocence

Monday, January 12, 2009

lost away

Escrever pra ninguém é difícil, quando queremos só uma pessoa. Principalmente quando não o sabemos fazer. Escrever. Mas é possível. O Universo é um conjunto infinito de possibilidades.

Wednesday, January 7, 2009

Hoje escreve-se de forma simples e aberta. De forma clara, calma e objectiva. Hoje escreve-se assim, para não ficar mais nada por escrever.
São algumas as ideias que me vão surgindo á medida que vou olhando para o papel e rodando a caneta entre os dedos, na verdade, são muitas as dúvidas que se atropelam enquanto levanto a cabeça e olho em volta á procura de respostas.
Sendo assim, não haverà forma mais sincera que começar por fazer perguntas...
Como podemos saber se respeitam as nossas opiniões se não emitimos nenhumas?
Como podemos saber se somos aceites, compreendidos e amados se não nos dispomos a tal? Se não nos abrimos a isso?
Como saber? Como perceber, entender? Como aceitar algo que não compreendemos não por egoísmo mas porque não nos foi explicado?
Será pelo facto de não existir uma explicação!? Ou talvez porque insistimos em tentar explicar algo que não existe!?
Muitos de nós nos consideramos sós e sem ninguém com quem comunicar, quantos de nós procuramos no outro entendimento e quantas vezes procuramos apenas alguém que nos ouça...
A questão é: O que fazer quando entregamos tudo isso de bandeja!? O que fazer quando isso foi tomado por garantido sem o mínimo de reconhecimento!?
Bom, perante a invulgaridade da situação restam-me algumas conclusões óbvias: ou realmente não temos essa necessidade, vontade, prazer (???); ou não gostamos de mais ninguém para além de nós próprios; ou temos algo a esconder; ou simplesmente não gostamos da pessoa com quem estamos e nos oferece tudo isso.
É certo e sabido que nem todos nós somos comunicativos, sinceros, verdadeiros, confiantes ao ponto de nos darmos a conhecer e nos entregarmos mas... nesse caso porquê manter uma relação??? Porquê dizer NÓS quando ele não existe, quando na verdade nem a falta dele existe? No fundo o que existe é uma não- existência dis-farça-da de subtileza cujo propósito desconheço.
Afinal, o que hà mais a dizer quando faltam as palavras de amor!? Aquelas que nunca são demais e que são sempre espontaneas... O que sentir quando o "não sei" é a resposta ao motivo de se gostar... porque escrever amar nem faz sentido.
Mas faz sentido para mim dizer que o amor não tem de ser uma falta, uma ausência... que o amor não é superficial mas muitas das vezes bruto. Faz sentido que o amor nos faça sentir felizes, protegidos e completos. Faz sentido que haja confiança. Não hà nada mais gratificante que poder confiar em alguém, não hà nada mais frustrante que não sermos merecedores da confiança de alguém sem um porquê. Confiança gera confiança. Faz sentido que em vez de comportamentos "forçado-reactivos" existam uns tais denominados de proactivos que simplificadamente significam: Agir!
Existem imensas "coisas" para as quais não tenho (obtenho) resposta e existem outras tantas que, felizmente, sei de cor e que todos sabemos (ou deveríamos)... é que amar não é aquilo que queremos sentir, é aquilo que sentimos sem querer...
Conquistar uma mulher deve dar imenso trabalho (ou não) mante-la deve ser um imenso prazer... e no fundo nem mesmo as mais complicadas o são de verdade, porque não há nada como um pouco de sincero empenho, algum verdadeiro amor, um quanto baste de savoir- faire para fazer uma mulher feliz.
No entanto, tem de haver esforço, não um esforço de sentimentos ( porque se houver não poderá haver mais nada para além da sinceridade para o verbalizar) mas um esforço para perceber que o que transforma um homem vulgar no homem da nossa vida é simplesmente o facto de ele querer ser o homem da nossa vida... e esse, independentemente do tempo que fique faz-nos sempre sentir mesmo importantes.
" They do not love that do not show their love"
Shakespeare

Tuesday, January 6, 2009

pensamento da noite

O que é um cínico?
Um homem que conhece o preço de todas as coisas sem lhes conhecer o valor.

Oscar Wilde


Monday, January 5, 2009

Sopram palavras
Ausentes de essência
Que arrefecem as nuvens
Acima carregadas de mim.
Levam o que tenho para
Onde já estive e não pertenço,
Sussurram como o vento
Frio que não quero ouvir
Sentir.
(Ah Aparências!)


E mesmo que gritasse
No mais mudo dos silêncios,
Minha alma não reconhece
Não carece nem parece
Sequer espaço ou possibilidade
De calmamente se afundar
Num vazio veneno intenso
Desse porto tão sombrio
Disfarçadamente...
(Ah Aparências!)

Nem todas as celas se tocam
Nem todas as cordas se ouvem
Nem todas as mentiras se vêem
Mas todas se sentem e...
Se me perco, não me escondo
Não sei viver sem ser livre
As jaulas aos miseráveis
Ah Aparências!

E desconheço as horas
Que passam diferentes
E indiferentes caminham
Encontram-se em mim
Num fugaz permeio
De puro manifesto
Sossego agora
E por fim.

 
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