Monday, February 18, 2008

in the deep

Thought you had all the answers
to rest your heart upon
but something happens
don't see it coming, now
you can't stop yourself
now you're out there swimming
in the deep
Life keeps tumbling you heart in circles
till you let go
till you shed your pride and you climb to heaven
and you throw yourself off
now you're out there spinning in the deep
by Bird York
*Crash Soundtrack

Friday, February 15, 2008

Inevitavelmente

Quase nunca sei porque o penso, porque o imagino, porque o desejo. Quase nunca sei porque o quero, se o quero. Quase nunca faz sentido. Nunca lhe encontrei nenhum. Então é provável que não o haja. Deve ser por isso que acontece, inevitavelmente, para que eu perceba que há coisas sem sentido. E irrito-me, nesta inquietude estúpida que não me deixa descrever a realidade, o peso e a forma do que sinto. Mesmo sem sentido tem que haver um porquê, uma razão. Um motivo. Um motivo até é capaz de haver mas um motivo não é um porquê, porque o motivo vem de nós e o porquê vem do acaso e o acaso não existe. E assim me vou enganando e camuflando em rodeios sem fim e raciocínios divagantes, para que me possa esconder, para que possa fugir da verdade que eu própria desconheço, para que não possa cair de joelhos e dizer aquilo que é com as palavras certas. Não existem palavras certas para descrever sentimentos que não queremos sentir. Aquilo que é não existe. É como uma espécie de sarampo mental que vou aprendendo, ainda que com alguma dificuldade, a não coçar, a resistir. Não sei se o sarampo mental tem cura.Não sei se é uma doença boa ou má. É o saber que não há por onde fugir que nos prende de verdade. Que nos ata as mãos, os pés e a consciência.

Paradoxos e analogias surgem na minha mente numa tentativa desesperada de me explicar. Deito as mãos aos olhos e com eles tapados digo em voz alta: Se tenho que deixar alguma coisa por explicar que seja esta. E repetindo sem sentido o que não o tem, vou-me recostando lentamente, com um sorriso que não entendo, até me conformar que apenas na suavidade dos meus movimentos e na velocidade do meu pensamento reside o motivo pelo qual não te deixo escapar.
Encontras-te sempre à espreita na esquina do acaso que me confunde.

Monday, February 11, 2008

Elogio ao amor de Miguel Esteves Cardoso

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer mas não sei como hei-de dizê-lo. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo muito pouco do que tenho a dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer um elogio ao amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma razão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e está ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em " diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor tornou-se uma variante psico-socio-bio-ecológicas da camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam " praticamente " apaixonadas. Eu quero fazer um elogio ao amor puro, de amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas da cantina, malta do " tas bem, tudo bem ", tomadores de bicas, alcançadores de bom-compromissos, bananóides, borra-botas, matadores de romances, romancistas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro, a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o ponto de socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental " . Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, o tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não se sabe, não apanha não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se não escapa pelas mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se percebe, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas viver mais acompanhado do que quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Monday, February 4, 2008

Somebody To Love

 
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