Thursday, August 30, 2007

Encontrei-o por aí:

De todos os bater
de asas douradas
em voos picados

que vão sendo sussurados
no silêncio
dum grito mudo

todos esvoaçam
nenhum se faz meu

tenho os olhos
demasiado cosidos
pelas cordas
da minha guitarra de ar

Wednesday, August 29, 2007

Pequena reflexão sobre...


Pessoas. Pessoas...
Podemos aclamar: Todos diferentes, Todos iguais... Mas na realidade somos todos diferentes de quem não é o que somos e melhor ainda: Todos indiferentes aos que não são o que somos.

Lutamos pela liberdade quando na realidade estamos presos dentro de nós...por aquilo que somos e não queremos ser, por aquilo que queremos ser e finalmente, por aquilo que pensamos que somos.

Contra a hipocrisia, mas na verdade utilizamo-la na sua pior vertente: somos hipócritas com nós próprios.
Convencemo-nos ao ponto da mentira se tornar verdade e o sonho realidade.

Somos aqueles grandes actores que por vezes...ups...nos esquecemos da nossa deixa.

Somos tudo aquilo que ocultamos nas grandes fachadas do nosso oásis coberto por luxuosas palmeiras de egoísmo e fraqueza.
Jamais permitimos que nos descubram as dúvidas e incertezas e depois reclamamos com o quê??? GUESS WHAT..??? Solidão, pois claro...

Cercamo-nos pelo mundo do que achamos estar certo sem sequer termos a coragem de abordar qualquer outro. Achamos um máximo que nos vejam com certezas em vez de dúvidas, coerentes em vez de confusos, e seguros em vez de fracos.

O pastor é o padrão.

Isto tudo acontece com uma regularidade estupidamente assustadora e é contagioso.

As relações humanas são cada vez mais degradantes.
A amizade é cada vez mais vulgar.
O amor...lol..esse já passou de moda há muito tempo...que quê!? Então não é patético!!?
No escritório quem não mata morre...
Civismo...onde está o dicionário...? que é isso??!
As pessoas lutam contra o sistema mas esquecem-se que o sistema...adivinhem???...É NOSSO.

Quem tem medo de falar é porque não sabe o que diz.
Livre arbítrio???... Não nos permitimos!!!

Wednesday, August 22, 2007

Era tão bom...


" Era bom que a cabeça das pessoas, quando crescem, fosse como o quarto das crianças. Até porque, ao contrário de muitas pessoas, elas sabem que a vida não tem graça quando só se pode sonhar de olhos fechados.
Era bom que as pessoas quando crescem, percebessem a vida como um desporto radical e uma revolução tranquila, ao mesmo tempo e não tomassem os seu sonhos como brinquedos fora do lugar. E, a exemplo das crianças, os sonhos das pessoas crescidas as levassem a voar, descobrindo quem as ajude a ir ao encontro deles, sempre que haja aguém junto de quem o essencial não é invisível. Alguém que, apesar dos capítulos desarrumados das suas histórias infantis, seja capaz de nos dizer: « deixa que voe no teu olhar e tu voa no meu... que a Terra do Nunca é quando estou ao pé de ti»."

Tuesday, August 14, 2007

Hoje, em mim

Um turbilhão, um turbilhão de emoções nela;
E aquele sorriso estúpido estampado na sua cara;
E só lhe apetecia vomitar, vomitar para o papel, toda esta alegria, toda esta emoção, na esperança que ficasse para sempre gravada aquela sensação de euforia, que nem tinha espaço nem tempo para a pontuação, apenas para o sentir...
Sentir aquele seu olhar brilhante e no fundo igual ao dela, de criança perdida e encantada.
Talvez o encanto esteja só na sua imaginação. Mas deixa-o estar, ao menos fazia-a sentir feliz, fazia-a sorrir e ter esperança.
Porque essa é a última a morrer, precisamente por se alimentar de tão pouco, nem que seja de ilusões...
Mas ela vive e corre, quase voa; Não. Voa mesmo. E esvoaça sem parar.
O braço doía-lhe de escrever tão velozmente. Tão velozmente quanto ela gostava de o abraçar e agarrar. Não; Tão velozmente quanto ela gostava que ele a abraçasse e agarrasse. Não. Também não. Espera.
Basta apenas aquele olhar.
Aqueles olhares.
Aquele sorriso.Aqueles sorrisos.
Aqueles.
Olhares e sorrisos.
Esses que não sabia o que significavam para ele e que queria tanto, tanto saber.
Mas não faz mal, por agora chega-lhe.
Chega-lhe esta emoção, esta alegria de o ter visto assim, do nada.
Por nada!? Não sabia.
Talvez um dia lho diga.
Lho confesse, talvez.
Talvez não.
Mas não importava.
Importava que o viu e foi feliz. E estava feliz.
Mesmo que amanha passasse. Mesmo que amanha percebesse que não foi nada.
Mesmo que fosse hoje ou agora quando acabasse de escrever...
Mesmo se fosse no segundo seguinte, ou neste, que ela percebesse que não foi nada...
Não importava porque o braço dói-lhe, mas aquela sensação ilógica ia ficar para sempre ali, naquele papel para a lembrar que foi feliz com nada...
E isso... era tudo.

Friday, August 10, 2007

A cada dia


Sinto-te cada vez mais distante de mim
Sinto-me cada vez mais distante de ti

Vou arrefecendo esta ânsia esta demência
de não te sentir por perto

Mas não te foste ainda habitas
esta mente este corpo
estás no olhar que tenho e no olhar que dou

Fugiste mas não te escondeste
não te livraste
do meu pensamento, do meu desejo

No leito, á noite sinto o calor
o teu calor
não de ti ou teu mas sim o meu
por ti

Esse não houve uma noite que me abandonasse.

E já nem sei o que peço,
se por ele se por mim
se por ti que desconheço

O final está tão distante,
tão distante quanto tu;
tão distante quanto o começo

Se souberes... Se imaginares...
que nada em ti te impeça,
te impeça de tentares...

Pois basta apenas olhares
que logo em mim tropeças;
pois basta apenas olhares
que eu viro-me ás avessas

E quem sabe...se por olhares
Também não estremeças...

 
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